21.5.11

A Ressonância Schumann

"Temos que questionar os dogmas, questionar as ideologias, questionar as autoridades externas. Somente questionando o que todos aceitam como certo, o que todos acham que é verdade, é que conseguimos despertar da hipnose do condicionamento social.''







Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou possui base real? Pela “ressonância Schumann” se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera que fica cerca de 100 km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann) mais ou menos constante da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio a biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz. Empiricamente fêz-se a constatação que não podemos ser saudáveis fora desta frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um “simulador Schumann” recuperavam o equilíbrio e a saúde.

Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa frequência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80 e de forma mais acentuada a partir dos anos 90 a frequência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido a aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real neste transtorno da ressonância Schumann.

Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos exotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores como a irrupção da quarta dimensão pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o bioritmo da Terra.






Não pretendo reforçar este tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuimos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann. Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem stress, com mais serenidade, com mais amor que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anti-cultura dominante que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra para conspirar com ela pela paz.


Por Leonardo Boff - Teólogo


imagens da internet









19.5.11

Poema da Noite



Já chorei vendo fotos e ouvindo musica;

Já liguei só para ouvir uma voz;

Me apaixonei por um sorriso;

Já pensei que fosse morrer de saudade;

E tive medo de perder alguem especial... (e acabei perdendo)

Já pulei e gritei de tanta felicidade;

Já vivi de amor e fiz muitas juras eternas... "quebrei a cara muitas vezes!"

Já abracei para proteger;

Já dei risadas quando não podia;

Já fiz amigos eternos;

Amei e fui amado;

Mas tambem já fui rejeitado;

Fui amado e não amei...



Charles Chaplin

Falando de Arte


Falar de arte sem contextualizar é complicado, mas começar obrigatoriamente no convencional é o meio mais rápido para tornar uma obrigação chata algo que deveria ser gostoso. É assim que vejo arte: algo extremamente prazeroso.

Não, não enlouqueci. E não falo de sacanagem alguma, nem de sexo. Falo do prazer em sentido amplo, de viver e curtir a arte. “Sacar” o que está rolando na produção artística contemporânea, desvendar idéias, artistas, pessoas, isso sim fascina em arte. A história vem em conseqüência, e depois naturalmente vem a curiosidade de saber o “who-is-who”.

A sociedade e cultura ocidentais, mais a “moral cristã”, que valorizam o sofrimento como virtude, são responsáveis por um estado de coisas que às vezes me deixa a fim de dizer “pára mundo que eu quero descer!” Para falar ‘tecnicamente’ sobre arte vocês podem achar que há gente muito mais capacitada que euzinha (Até porque a minha esclerose-galopante me deixa completamente abobalhada com relação a nomes e datas, muitas vezes.), mas justamente é isso que resulta num “endeusamento abobalhante” da arte que é contrário ao prazer!Em alguns casos, essa “santificação” acontece inconscientemente. Como pessoas que, para valorizar um assunto, recorrem logo ao batido “estado da arte’ da coisa. Noutros, uma simples fala denota uma falta de respeito e preconceito absurdos, como expressões do tipo “fulano está fazendo arte”, quando a criatura está fazendo algo fora do que é considerado ‘certo’…

Há algumas tentativas de valorização que acabam como “tiros pela culatra”… Fazendo analogias tão pateticamente vazias que repetem padrões exaustivos sem realmente sequer saber do que está falando. Desde cedo se incute nas crianças a idéia de arte como algo “errado”… Mas que coisa difícil…

A fábula de La Fontaine, da Cigarra e da Formiga é o apogeu da bobagem! Enquanto a formiguinha, “tadinha” (olha o sofrimento aí…), trabalha feito uma condenada para ter seu sustento, a cigarra, aquela “desocupada”, “luxuriante”, “vazia” e “fútil criatura”, só canta… É artista, a descarada!

Essa fábula, preconceituosa, coloca o artista, como um vagabundo, que não trabalha, não produz e, portanto, não tem futuro! E a trabalhadora formiguinha, além de trabalhar, ainda acolhe a desocupada. Boazinha ela, nossa, não é?

Pois é… A moral da história: Artista é vagabundo e arte não é trabalho. Gostaria de encontrar, um dia, o Sr. La Fontaine cara-a-cara para saber de onde tirou essa idéia estapafúrdia!

Uma historinha que circula aí pela Internet, que recebi (sem citação), vem a calhar. É a “forra” dos artistas para este preconceitozinho medíocre, de arte como sinônimo de desocupação. Aliás, é o “abre alas” da minha cruzada-pessoal-de-conscientização-cultural-artístico-educacional, e diz mais ou menos assim:



A Cigarra e a Formiga se cruzam num “chopicentis” da vida. Formiga desculpa-se, se livra dos seguranças e de toda gente em volta, virando-se para seguir seu caminho, quando escuta: – Formiga! Não creio! É você, menina?

A Formiga não faz idéia de quem seja.

A outra continua: – Querida, você não está me reconhecendo? Não acredito que não se lembre de mim, Cigarra, que você ajudou naquele inverno, lembra?

A formiga, então, sorri e diz: – Mas Amiga Cigarra, você está tão diferente… Como está?

Cigarra, abraçando a formiga, diz: – Pois não é, amiga? Você está igualzinha! Como tá a vida?

Formiga responde: – A vida? Na mesma, trabalho e mais trabalho, nada de novo, e você?

Cigarra: – Ah, minha amiga, nem te conto! Depois daquele inverno em que me socorreu, veio a primavera e o verão. Como sempre, cantava num bar… Um produtor internacional me viu e adorou minha voz! Me levou para fora, me produziu e me lançou no mercado internacional. Enfim, estourei e fiquei rica. Tô aqui hoje para lançar o meu novo álbum. Como não paro em canto algum, tenho apartamento em NYC, Londres e aqui, e estou indo para Paris prá uma turnê pela Europa, aliás, quer alguma coisa da França, querida?

A Formiga, que ouvia a tudo pensativa, cabisbaixa, encara a Cigarra e diz, categórica: – Quero… Quero sim, amiga. Se por acaso você encontrar um tal La Fontaine, faz um favor para mim? Manda ele pra puta que pariu?!





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texto de Jurema Sampaio - Mestre em Artes Visuais, especialista em Ensino e Produção de Arte, licenciada em Arte-Educação, Desenho e Artes Plásticas (PUC-Campinas). Atualmente cursa Doutorado. Professora Universitária.

4.5.11

O MENINO RICO E O POBREZITO

                                               Belmiro de Almeida - Dois Meninos Jogando Bilboquê

 
Sentados na mesma pedra, à beira de água, disse o menino ao pequenito:

- Que lindos cabelos tens! Parecem de ouro ...

- Se meus cabelos fossem de ouro, minha mãe, que é tão boa, não trabalharia tanto.

- Tens mãe?! - Exclamou o menino, maravilhado.

O pequenino corou como com uma afronta.

- Se tenho mãe?! Ela é que me penteia os cabelos; ela é que me conta histórias; ela é que me cura, quando adoeço; ela é quem me conserta a roupa e me adormece ao colo, cantando, quando, nas noites escuras, tremo de medo ouvindo a coruja. Tenho mãe, como não !? Também não sou tão pobre assim !

- Pois eu não tenho! - suspirou o menino. - Minha mãe morreu quando nasci. Estas terras, com tudo o que nelas há, são de meu pai, que só me tem a mim. No palácio em que moro já se hospedou um príncipe com toda a sua corte. O salão em que durmo é todo forrado de seda com lustres de ouro e tapetes onde os pés se afogam. São tantos os meus criados que, a muitos, tenho por estranhos e pasmo quando me pedem ordens.

- E quem lhe conta histórias?

- Histórias? Leio-as nos livros.

- Quem o veste e penteia?

- A velha aia.

- Quem o acalma à noite, quando a coruja chirria e o vento geme nas árvores?

-Rezo a Nossa Senhora.

- Quando adoece, quem o cura?

- Os médicos.

- E quando a tristeza entra em seu coração, quem o consola?

- Choro.

Levantou-se então o pequenito e tomando nas mãos as do menino milionário, encarou-o compadecido, com os lindos olhos arrasados de água.

- Porque choras? Que tens? - perguntou o menino, comovido.

- Choro de pena, porque nunca pensei que houvesse no mundo outro menino mais pobre do que eu.

COELHO NETO

Poema para o dia das Mães


Poema Cansado de Certos Momentos



Foi-se tudo

como areia fina escoada pelos dedos.

Mãe! aqui me tens,

metade de mim,

sem saber que metade me pertence.

Aqui me tens,

de gestos saqueados,

onde resta a saudade de ti

e do teu mundo de medos.

Meus braços, vê-os, estão gastos

de pedir luz

e de roubar distâncias.

Meus braços

cruzados

em cruz de calvário dos meus degredos.

Ai que isto de correr pela vida,

dissipando a riqueza que me deste,

de levar em cada beijo

a pureza que pariste e embalaste,

ai, mãe, só um louco ou um Messias

estendendo a face de justo



para os homens cuspirem o fel das veias,

só um louco, ou um poeta ou um Cristo

poderá beijar as rosas que os espinhos sangram

e, embora rasgado, beber o perfume

e continuar cantando.

Mãe! tu nunca previste

as geadas e os bichos

roendo os campos adubados

e o vizinho largando a fúria dos rebanhos

pela flor menina dos meus prados.

E assim, geraste-me despido

como as ervas,

e não olhaste os pegos nem as cobras,

verdes, viscosas, espreitando dos nichos.

De mão nua, entregaste-me ao destino.

Os anjos ficaram lá em cima, cobardes, ansiosos.

E sem elmos ou gibões,

nem lutei nem vivi:

fiquei quieto, absorto, em lágrimas

— e lá ao fundo esperavam-me valados

e chacais rancorosos.



Mãe! aqui me tens,

restos de mim.

Guarda-me contigo agora,

que és tu a minha justiça e o exílio

do perdido e do achado.

Guarda-me contigo agora

e adormece-me as feridas

com as guitarras do fado.



Mas caberá no teu regaço

o fantasma do perdido?



Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"


23.4.11

NADA COMO O TEMPO


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.


Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!


desconhecido

Verdadeiros Valores

O Paradoxo do Nosso Tempo




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