Estudo mostrou que a mente de recém-nascidos é muito mais sofisticada do que se pensava
No estudo, crianças viam vídeos de objetos que eram retirados de um recipiente e então faziam previsões
Os pais corujas podem ficar ainda mais orgulhosos. Bebês de 12 meses de idade são mais espertos do que se pensava e são capazes de fazer previsões sobre novas situações do cotidiano, como por exemplo, saber que um objeto não pode desaparecer em um piscar de olhos, nem se teletransportar de um lugar para o outro. Estudo realizado por pesquisadores americanos e europeus conseguiu mostrar que bebês podem executar análises sofisticadas de como o mundo físico deve se comportar, mesmo sem ter passado por experiências prévias.
“Nosso estudo focou no caso de que bebês pudessem criar perspectivas sem experiências prévias, e se tais perspectivas são racionais, no sentido de que podem ser formadas a partir do zero”, disse ao iG Luca Bonatti, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e um dos autores do estudo publicado no periódico científico Science.
O grupo criou um modelo de computador sobre a cognição dos bebês que simula um tipo de inteligência chamada de puro raciocínio e também calcula a probabilidade de um evento particular acontecer. Este tipo de raciocínio é diferente de prever o futuro baseado em quantas vezes o evento aconteceu, visto que os pequenos carecem de experiências prévias.
De acordo com Bonatti, durante o estudo foi jogada uma espécie de loteria com os bebês só que com mudanças repentinas. A equipe mostrou um vídeo com uma série de objetos dentro de um recipiente. A imagem era mostrada por um determinado período e depois dos objetos era retirado. Havia diferença de categoria entre os objetos de acordo com as cores, três deles eram azuis e um amarelo, por exemplo. Os pesquisadores observavam quanto tempo os bebês ficavam olhando para cada imagem e com isto concluíam que as crianças estavam usando raciocínio puro para prever que objeto seria retirado.
Pesquisas revelam novas funções do aleitamento materno
“Achamos uma maneira de observar que aposta os bebês faziam, sem ter uma experiência prévia destas situações. Queríamos saber se eles achariam que um objeto amarelo ou azul sairia, como de fato aconteceu”, disse ao iG.
O estudo é o primeiro de um projeto de longo prazo que sobre a “engenharia reversa” da cognição infantil. O projeto vai estudar crianças de três a doze meses para mapear o que elas sabem sobre o mundo físico e social. O projeto "3-6-12" tem o objetivo de compreender a natureza da inteligência para depois reproduzi-la em máquinas.
Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo
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29.5.11
Bebês são capazes de fazer previsões em situações novas
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4.5.11
O MENINO RICO E O POBREZITO
Belmiro de Almeida - Dois Meninos Jogando Bilboquê
Sentados na mesma pedra, à beira de água, disse o menino ao pequenito:
- Que lindos cabelos tens! Parecem de ouro ...
- Se meus cabelos fossem de ouro, minha mãe, que é tão boa, não trabalharia tanto.
- Tens mãe?! - Exclamou o menino, maravilhado.
O pequenino corou como com uma afronta.
- Se tenho mãe?! Ela é que me penteia os cabelos; ela é que me conta histórias; ela é que me cura, quando adoeço; ela é quem me conserta a roupa e me adormece ao colo, cantando, quando, nas noites escuras, tremo de medo ouvindo a coruja. Tenho mãe, como não !? Também não sou tão pobre assim !
- Pois eu não tenho! - suspirou o menino. - Minha mãe morreu quando nasci. Estas terras, com tudo o que nelas há, são de meu pai, que só me tem a mim. No palácio em que moro já se hospedou um príncipe com toda a sua corte. O salão em que durmo é todo forrado de seda com lustres de ouro e tapetes onde os pés se afogam. São tantos os meus criados que, a muitos, tenho por estranhos e pasmo quando me pedem ordens.
- E quem lhe conta histórias?
- Histórias? Leio-as nos livros.
- Quem o veste e penteia?
- A velha aia.
- Quem o acalma à noite, quando a coruja chirria e o vento geme nas árvores?
-Rezo a Nossa Senhora.
- Quando adoece, quem o cura?
- Os médicos.
- E quando a tristeza entra em seu coração, quem o consola?
- Choro.
Levantou-se então o pequenito e tomando nas mãos as do menino milionário, encarou-o compadecido, com os lindos olhos arrasados de água.
- Porque choras? Que tens? - perguntou o menino, comovido.
- Choro de pena, porque nunca pensei que houvesse no mundo outro menino mais pobre do que eu.
COELHO NETO
Sentados na mesma pedra, à beira de água, disse o menino ao pequenito:
- Que lindos cabelos tens! Parecem de ouro ...
- Se meus cabelos fossem de ouro, minha mãe, que é tão boa, não trabalharia tanto.
- Tens mãe?! - Exclamou o menino, maravilhado.
O pequenino corou como com uma afronta.
- Se tenho mãe?! Ela é que me penteia os cabelos; ela é que me conta histórias; ela é que me cura, quando adoeço; ela é quem me conserta a roupa e me adormece ao colo, cantando, quando, nas noites escuras, tremo de medo ouvindo a coruja. Tenho mãe, como não !? Também não sou tão pobre assim !
- Pois eu não tenho! - suspirou o menino. - Minha mãe morreu quando nasci. Estas terras, com tudo o que nelas há, são de meu pai, que só me tem a mim. No palácio em que moro já se hospedou um príncipe com toda a sua corte. O salão em que durmo é todo forrado de seda com lustres de ouro e tapetes onde os pés se afogam. São tantos os meus criados que, a muitos, tenho por estranhos e pasmo quando me pedem ordens.
- E quem lhe conta histórias?
- Histórias? Leio-as nos livros.
- Quem o veste e penteia?
- A velha aia.
- Quem o acalma à noite, quando a coruja chirria e o vento geme nas árvores?
-Rezo a Nossa Senhora.
- Quando adoece, quem o cura?
- Os médicos.
- E quando a tristeza entra em seu coração, quem o consola?
- Choro.
Levantou-se então o pequenito e tomando nas mãos as do menino milionário, encarou-o compadecido, com os lindos olhos arrasados de água.
- Porque choras? Que tens? - perguntou o menino, comovido.
- Choro de pena, porque nunca pensei que houvesse no mundo outro menino mais pobre do que eu.
COELHO NETO
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Poema para o dia das Mães
Poema Cansado de Certos Momentos
Foi-se tudo
como areia fina escoada pelos dedos.
Mãe! aqui me tens,
metade de mim,
sem saber que metade me pertence.
Aqui me tens,
de gestos saqueados,
onde resta a saudade de ti
e do teu mundo de medos.
Meus braços, vê-os, estão gastos
de pedir luz
e de roubar distâncias.
Meus braços
cruzados
em cruz de calvário dos meus degredos.
Ai que isto de correr pela vida,
dissipando a riqueza que me deste,
de levar em cada beijo
a pureza que pariste e embalaste,
ai, mãe, só um louco ou um Messias
estendendo a face de justo
para os homens cuspirem o fel das veias,
só um louco, ou um poeta ou um Cristo
poderá beijar as rosas que os espinhos sangram
e, embora rasgado, beber o perfume
e continuar cantando.
Mãe! tu nunca previste
as geadas e os bichos
roendo os campos adubados
e o vizinho largando a fúria dos rebanhos
pela flor menina dos meus prados.
E assim, geraste-me despido
como as ervas,
e não olhaste os pegos nem as cobras,
verdes, viscosas, espreitando dos nichos.
De mão nua, entregaste-me ao destino.
Os anjos ficaram lá em cima, cobardes, ansiosos.
E sem elmos ou gibões,
nem lutei nem vivi:
fiquei quieto, absorto, em lágrimas
— e lá ao fundo esperavam-me valados
e chacais rancorosos.
Mãe! aqui me tens,
restos de mim.
Guarda-me contigo agora,
que és tu a minha justiça e o exílio
do perdido e do achado.
Guarda-me contigo agora
e adormece-me as feridas
com as guitarras do fado.
Mas caberá no teu regaço
o fantasma do perdido?
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"
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